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Capítulo 2 – Does anyone care?

  • Nov. 10th, 2006 at 9:37 PM

Capítulo 2 – Does anyone care?

Eu saí da estação de metrô segurando a mão de Mikey. Saímos e nos deparamos com uma briga de rua. Estávamos no subúrbio. Consegui identificar cinco pessoas se batendo porém logo depois identifiquei uma lâmina prateada ser pressionada contra o meu pescoço.
“GEE!!” gritou Mikey, vendo que eu não estava em uma situação um tanto quanto boa. Ele se calou, porém parando de gritar com o meu parco sinal de “Silêncio, vai dar tudo certo” que nós usamos tantas vezes, quando nossos pais brigavam ou gritavam e ele chorava, eu fazia esse sinal para ele, dizendo que vai dar tudo certo.
“o que é que você quer de mim?” Eu perguntei, sem nenhuma reação.
“nada, certo Mitch?” interferiu um garoto de estatura baixa e cabelos pintados de vermelho nos lados da cabeça, com o resto pintado de preto e erguido em um moicano e franja. Jaqueta preta, não de couro, calça jeans, um cinto rosa estranho e um vans. Aquele sapato preto e amarelo com uma estrela.
“Ora ora, o que é que o baixinho está fazendo aqui?” ele falou desdenhoso.
“Escute, se você não quer se dar muito mal, você solta o cara, e nunca mais aparece na minha frente.” Ele sorriu de lado, fazendo seu piercing reluzir nas luzes de néon da rua.
“hm... eu te vejo por aí, Iero.” O homem tirou a navalha de meu pescoço, saindo correndo, junto com os outros cinco homens que faziam parte de sua gangue.
“obrigado.” Eu falei para o garoto enquanto Mikey correu em minha direção, me abraçando com força.
“De nada. É assim mesmo.” Ele sorriu um tanto quanto menos corajoso e mais simpático. “Qual é o seu nome?”
“Gerard. E o seu?”
“Frank.” Ele sorriu novamente. “O que você estava fazendo á essa hora no metrô?”
“Eu acabei de vir de New Jersey para cá.” Eu abaixei o olhar lembrando o que realmente estava fazendo aqui.
”Você tem algum lugar para ficar?” Ele falou, também com os olhos baixos, parecendo um pouco envergonhado.
”Na verdade, não.” Eu sorri, abraçando Mikey, que estava observando Frank, pasmo.
“Quer ficar na minha casa? Aliás, na casa dos meus pais, por que eu só tenho dezesseis anos.” Ele sorriu, desajeitadamente como se estivesse dizendo “Fazer o que”.
“Eu também tenho dezesseis anos.” Eu ri, deixando-o mais feliz. “E obrigado pela oferta, mas eu não tenho certeza se posso aceita-la.”
“Vamos gee! Vamos ficar com o moço simpático!!” Mikey puxou a minha jaqueta, pedindo.
“Mikey!”
“Seriamente, não tem nenhum problema.” Ele sorriu novamente, me deixando mais á vontade. Ele era muito bonito. Muito bonito mesmo. Pequeno, porém muito bonito. Não pareceu novo quando falou com aquele homem, porém agora me parece bem mais novo.
“Ahm...Tem certeza?” Eu perguntei para ter certeza
“Tenho.” Ele pegou mikey pela mão e andou até um táxi, pedindo para o homem nos levar até o Brooklin. Chegamos em uma casa branca bem arrumada, diferente do que eu esperava. Ele entrou em casa e limpou os pés. “MÃE CHEGUEI!”
“Ta bem frankie.” Eu ouvi uma voz feminina vinda de um escritório.
“ Eu trouxe dois amigos, tudo bem mãe?” Ele perguntou novamente, sorrindo.
“Claro frankie!!” Ela se aproximou de mim e viu o pouco de sangue que restava em meu pescoço. “O que aconteceu com você, ...”
“Gerard.” Eu sorri. “ Não é nada senhora, nada mesmo. Só uma pequena ferida.” Eu olhei para ela. Tinha os cabelos castanhos presos em um rabo-de-cavalo, e sorria. Era uma típica mãe.
Mãe... Eu acho que o mikey também notou, pois seus olhos estavam cheios de lágrimas por detrás dos óculos. “Obrigado.” Frank notou o que estava acontecendo. Ele notou as nossas lágrimas, notou as nossas expressões, notou o que estávamos vendo na mãe dele. Ele nos chamou para ir para o quarto dele, fazendo um sinal de “Depois eu te explico” para sua mãe. Ela compreendeu e sorriu. Nós subimos para seu quarto. Um quarto bonito, cheio de posters, de varias bandas que eu também gostava, e também com uma linda fender vermelha apoiada na parede ao lado da cama. Eu realmente não esperava aquilo dele. Não mesmo.
”Por favor, contem me o que aconteceu com vocês.” Ele sentou na cama e abriu uma coca cola, oferecendo para mim e para Mikey.
“Nós fugimos de casa pois os nossos pais brigavam demais, e nós não agüentávamos mais. Não dava mais. Por isso, fomos embora de casa, para cá.” Eu falei, abaixando o olhar.
“Oh, eu sinto muito Gerard. Sinto muito.” Ele me abraçou, dando um calor muito agradável. Realmente, muito agradável. “Vocês vão ficar bem aqui, eu prometo.”
“Obrigado...” Eu somente abracei-o de volta sentindo que as minhas lágrimas molhavam seu casaco preto. Sinto que eu e Frank seremos amigos.
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Capítulo 1 - No more tears.

  • Nov. 9th, 2006 at 3:44 PM

Na noite do dia seguinte, eu decidi que não iria agüentar mais. Eu não agüento mais, essa é a verdade. Por isso eu prefiro ir embora. Eu já tinha feito a minha mochila. Caderno de desenho, vários desenhos meus, discman, um monte de roupas, meu caderno de anotações, meu diário (poisé, pode parecer ridículo, mas eu tenho um diário.) e alguns CDs. Meu irmão iria comigo. Ele pediu para ir comigo, chorando, por que disse que não conseguiria ficar em casa sem mim. Eu tinha juntado economias, de bicos, em livrarias e essas coisas, afinal eu tinha 15 anos. Eu tinha conseguido juntar o suficiente para comprar duas passagens de trem. De New Jersey para New York. Nós íamos para lá, e iríamos arranjar algum lugar para ficar lá. Sei lá, eu faria bico e pagaria um apartamento ou qualquer coisa assim, que se dane. Eu queria mais era ir para longe daqueles gritos e daquelas brigas.
A meia noite, eu sacudi o meu irmão e fiz um sinal de silêncio para ele, já com a minha mochila em meu ombro. Ele pegou a mochila dele e me seguiu. Nós descemos as escadas da casa sem fazer praticamente nenhum barulho, e nos despedimos da nossa casa, na qual vivíamos desde que nascemos. Andamos até a estação e sentamos nos bancos, estávamos sozinhos, com exceção de duas outras mulheres que olhavam para os dois garotos com pena, cochichando entre si. Os dois garotos á noite, num trem. Definitivamente, isso não era convencional. Inclusive por que um, que no caso seria eu, tinha os cabelos negros na altura do ombro e usava uma maquiagem vermelha, além das calças pretas com os joelhos rasgados e a jaqueta de couro por cima da blusa preta do “Iron Maiden”, e o outro, que parecia mais novo, no caso o meu irmão, Mikey, com os cabelos lisos loiro-queimado, uma touca e óculos, jeans e uma blusa listrada vermelha e preta.
“Gee, eu estou com medo.” Ele murmurou, se acomodando ao meu lado, no trem.
“Não tem por que ter medo mik...Vai dar tudo certo, eu sei o que eu estou fazendo.” Eu passei as mãos em seus cabelos e encostei a cabeça, ligando o discman, Misfits.
Os quarenta e cinco minutos passaram rapidamente, dando a chance para Mikey dormir um pouco recostado em meu ombro e de eu poder refletir sobre o que estava fazendo, o que estava exigindo dele e de mim mesmo. De como seria a nossa vida á partir disso. Eu nem tinha local para dormir.
Quando nós chegamos eu tentei acordá-lo:
“Mik. Chegamos.” Eu o balancei um pouco.
“Hm, já?” Ele esfregou os olhos e colocou os óculos de volta. “ta bem gee, eu vou pegar a minha mala.” Ele se levantou e andou até o bagageiro para pegar a mochila. Eu já estava com a minha ao meu lado, então só me levantei e fiquei esperando por ele na porta. A estação de Metro de Nova York não me parecia nada demais. Bem maior do que a de New Jersey, porém nada demais.
Eu chequei a minha carteira.
300 dólares.
Isso dá para sobreviver por uns...dois dias, decentemente. Droga, eu deveria ter esperado juntar mais dinheiro.
“Mikey, vamos logo.” Eu segurei a mão dele e comecei a andar na estação, em busca da saída.
“Gee, nós vamos conseguir viver aqui?” Ele perguntou.
“Vamos. Vamos. Eu vou arranjar um jeito de conseguirmos” Gerard sorriu, inseguro. “Agora vamos procurar algum lugar pra comer, por que eu estou faminto. Você está?”
”Aham.” Ele só sorriu de volta e me seguiu pela estação.
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Prólogo

Recostado no batente da janela eu ouvia meus pais argumentando alto e se xingando mutuamente. As minhas lágrimas haviam cessado de escorrer, porém a tristeza e a raiva ainda eram onipotentes em mim. Nada mais eu tinha a fazer do que observar a saudosa chuva pela minha janela e pensar como seria bom que tudo isso parasse, acabasse. Sem mais gritos, sem mais portas batendo, sem mais referências pejorativas á mim nas discussões. A mim e ao meu irmão mais novo, que por sorte estava passando a noite na casa de um amigo. Ele não agüentaria. Ele perguntaria "O que está acontecendo, gee?" com os olhos cheios de lágrimas por trás dos óculos. " Papai e mamãe estão conversando um pouco alto, mik." Eu deslizaria as mãos pelos cabelos de meu irmão que estaria falsamente melhor, tentando não deixar as minhas próprias lágrimas escorrerem. Eu odeio eles, odeio essa falta de consideração. ODEIO!!
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